DeRE 1.2.0: Receita atualiza documentação da reforma tributária
Receita Federal e CGIBS publicam a versão 1.2.0 da DeRE, com novos leiautes, controle de deduções e reabertura de competências.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS) publicaram a versão 1.2.0 da documentação técnica da Declaração de Regimes Específicos, a DeRE. A atualização, divulgada em 9 de setembro de 2026, faz parte da preparação operacional para a reforma tributária do consumo e traz mudanças importantes para sistemas fiscais e equipes de tecnologia.
Entre os principais avanços estão o controle de deduções da base de cálculo, a possibilidade de reabertura de períodos encerrados e a inclusão dos primeiros leiautes de eventos transacionais.
O que é a DeRE
A DeRE é uma declaração ligada aos regimes específicos da nova estrutura tributária. Sua implementação exige integração entre áreas fiscais, contábeis e tecnológicas, especialmente porque parte das informações será transmitida por eventos estruturados e submetida a regras de validação.
A documentação técnica é essencial para que empresas e desenvolvedores possam adaptar sistemas antes da entrada em produção das novas rotinas.
O que mudou na versão 1.2.0
De acordo com a Receita Federal, a versão 1.2.0 introduz três grupos de mudanças de maior destaque.
Controle de deduções da base de cálculo
A nova documentação passa a contemplar mecanismos específicos para o controle de deduções. Isso ajuda a definir como determinados valores deverão ser informados e validados dentro da escrituração.
Reabertura de períodos encerrados
A atualização também prevê a reabertura de competências já encerradas. Esse recurso é importante para situações em que seja necessário corrigir, complementar ou ajustar informações anteriormente transmitidas.
Eventos transacionais
Outro avanço é a publicação da versão inicial dos leiautes dos eventos periódicos transacionais das séries D-2000, D-3000 e D-4000.
Segundo a Receita, essa estrutura foi pensada para permitir a identificação individualizada de adquirentes, destinatários e beneficiários. A lógica está relacionada a pontos centrais da reforma tributária, como o princípio do destino, a apropriação de créditos e a operacionalização da devolução personalizada, incluindo mecanismos de cashback previstos na nova legislação.
Implementação será gradual
A Receita Federal ressaltou que os eventos transacionais divulgados agora representam apenas a primeira etapa da escrituração transacional da DeRE.
Novos campos, eventos e regras de validação devem ser acrescentados de forma incremental nas próximas versões. A intenção é oferecer previsibilidade para que empresas e fornecedores de software tenham tempo de adaptar seus sistemas.
Quais documentos técnicos foram atualizados
O pacote divulgado inclui os leiautes da DeRE para eventos de tabela, periódicos mensais, eventos transacionais e totalizadores de retorno.
Também foram disponibilizadas tabelas de domínio, regras de validação e arquivos XSD, usados para verificar a estrutura dos documentos XML transmitidos pelos sistemas.
Entre os materiais citados estão códigos de tributação, códigos de base de cálculo, tabela de países e planos de contas referenciais.
Manual do Usuário ainda será atualizado
Um ponto importante é que o Manual de Orientação do Usuário, conhecido como MOD, não acompanha esta publicação. A Receita informou que a versão atualizada do manual, com instruções de preenchimento e detalhamento dos novos eventos transacionais, será divulgada posteriormente em ato conjunto.
Isso significa que empresas e desenvolvedores já podem avançar na análise técnica, mas ainda devem acompanhar as próximas publicações antes de considerar a implementação concluída.
Impacto para empresas e softwares fiscais
A atualização interessa diretamente a empresas sujeitas aos regimes específicos e também a fornecedores de ERP, plataformas fiscais, sistemas de compliance e equipes internas de tecnologia.
Quanto mais cedo os sistemas forem avaliados, menor tende a ser o risco de adaptações apressadas perto de prazos obrigatórios. A mudança também aumenta a importância do alinhamento entre profissionais de tecnologia, contabilidade e área tributária.
Como se preparar
Empresas impactadas podem começar revisando processos internos, identificando sistemas que precisarão receber novos campos e acompanhando as próximas versões da documentação oficial.
Também é recomendável planejar ambientes de teste e homologação, especialmente porque a Receita já sinalizou que a evolução da DeRE ocorrerá de forma incremental.
Reforma tributária entra em fase mais operacional
A publicação da versão 1.2.0 reforça que a reforma tributária está avançando para uma etapa cada vez mais técnica e operacional. Para o mercado, isso significa que as discussões sobre a nova tributação passam a envolver não apenas regras legais, mas também integração de sistemas, qualidade de dados e capacidade de adaptação tecnológica.
Fonte: Receita Federal.
Imagem ilustrativa: Kelly Sikkema/Unsplash.
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