Governo já libera R$ 27 bilhões para conter alta dos combustíveis em 2026
Medidas para conter gasolina e diesel já mobilizam cerca de 27 bilhões de reais em créditos extraordinários em 2026. Entenda o impacto nas contas públicas.
A disparada internacional do petróleo está produzindo uma conta bilionária para o Brasil. Levantamentos divulgados neste fim de semana indicam que o governo federal já abriu aproximadamente R$ 27,1 bilhões em créditos extraordinários em 2026 para financiar medidas destinadas a reduzir o impacto da crise energética sobre gasolina e, principalmente, diesel.
O esforço ganhou força depois da nova escalada do petróleo no mercado internacional. Na sexta-feira, 11 de setembro, o Brent encerrou a sessão a US$ 104,61 por barril, acumulando alta superior a 8% na semana.
Novo pacote aumenta intervenção nos preços
Na quarta-feira, 9 de setembro, o governo anunciou uma nova rodada de medidas.
Entre elas estão a redução de R$ 0,63 por litro nos tributos federais incidentes sobre a gasolina, redução de R$ 0,19 sobre o etanol e ampliação do mecanismo de subvenção ao diesel.
A Reuters calcula que as medidas elevarão para aproximadamente R$ 40 bilhões os gastos e renúncias ligados ao alívio dos combustíveis entre março e setembro.
Diesel é a maior preocupação
O diesel ocupa posição central porque grande parte da produção brasileira é transportada por rodovias.
Quando seu preço aumenta, o efeito pode chegar ao frete de alimentos, medicamentos, produtos industriais e praticamente todas as mercadorias distribuídas por caminhões.
Por isso, o governo tenta evitar que a valorização internacional do petróleo seja transferida integralmente às bombas.
Pacote também pesa nas contas públicas
O benefício ao consumidor tem custo fiscal.
O impacto mensal das novas medidas é estimado em cerca de R$ 7 bilhões, embora o governo argumente que parte da despesa poderá ser compensada pela arrecadação adicional gerada pelo próprio petróleo caro, já que o Brasil é exportador líquido da commodity.
Essa combinação cria uma situação incomum: a alta do petróleo aumenta determinadas receitas do governo, mas simultaneamente exige mais recursos para evitar uma disparada doméstica dos combustíveis.
Petróleo continua sendo o grande risco
A crise ainda está longe de resolvida.
A Agência Internacional de Energia aponta forte redução da oferta no Oriente Médio, enquanto problemas de navegação e ataques a infraestrutura energética aumentam custos de transporte.
O Brent chegou a tocar US$ 109,97 durante a última semana antes de recuar.
Se os preços permanecerem elevados por vários meses, o custo fiscal das medidas brasileiras poderá aumentar e a pressão sobre inflação e juros continuará no radar.
O que o consumidor deve observar
A redução tributária não significa necessariamente queda idêntica em todos os postos.
Estoques antigos, distribuição, fretes, impostos estaduais, margens comerciais e concorrência local também influenciam o preço final.
Nas próximas semanas, a evolução dos valores nas bombas mostrará quanto do pacote efetivamente chegou ao consumidor.
Fontes: Reuters e Ministério da Fazenda.