Inflação cai 0,32% em agosto e aumenta expectativa de novo corte da Selic
IPCA cai 0,32% em agosto e inflação em 12 meses desacelera para 4,22%. Resultado reforça expectativa de novo corte da Selic.
A inflação brasileira trouxe um sinal importante para consumidores, empresas e mercado financeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,32% em agosto de 2026, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,22%, ante 4,44% em julho.
O resultado mensal foi mais intenso do que a mediana de queda de 0,29% esperada por economistas consultados pela Reuters e representou a menor variação mensal do índice desde agosto de 2022.
Energia elétrica ajudou a derrubar o índice
Um dos principais responsáveis pelo resultado foi o grupo Habitação, que recuou 1,87% no mês. A redução das contas de energia elétrica teve peso importante, beneficiada por um desconto extraordinário ligado a Itaipu.
Outros grupos relevantes também registraram queda. Transportes recuaram 0,86%, alimentos e bebidas diminuíram 0,34% e itens de comunicação também apresentaram redução.
Inflação em 12 meses chega a 4,22%
Com o resultado de agosto, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,44% para 4,22%. O número permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação do Banco Central, que tem objetivo central de 3% e margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Selic pode cair novamente
O Banco Central já realizou quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14% ao ano. Depois da divulgação do IPCA, aumentaram as expectativas de que a autoridade monetária faça outro corte de 0,25 ponto na próxima reunião, levando a taxa para aproximadamente 13,75%.
Uma redução dos juros pode produzir efeitos gradualmente sobre crédito, financiamentos, investimentos e consumo. Isso não significa, porém, que os empréstimos ficarão baratos imediatamente, já que os bancos consideram risco, inadimplência, prazo e outros fatores na definição das taxas.
Petróleo é o principal risco no horizonte
O cenário favorável para a inflação ainda exige cautela. O petróleo permaneceu acima de US$ 100 por barril ao fim da semana, pressionado por problemas de oferta e tensões no Oriente Médio. Se a energia continuar cara por um período prolongado, os efeitos podem voltar a aparecer nos preços de combustíveis, fretes e alimentos.
O que acompanhar agora
O próximo passo será observar a decisão do Comitê de Política Monetária e a evolução dos preços de energia. A queda do IPCA melhora o cenário de curto prazo, mas parte da deflação de agosto veio de fatores temporários, o que deve manter o Banco Central cauteloso.