Petróleo acima de US$ 100 aumenta risco de nova onda de inflação global
O petróleo voltou a superar uma barreira que preocupa governos, empresas e bancos centrais.
O Brent encerrou sexta-feira a US$ 104,61 por barril, enquanto o WTI terminou em US$ 100,05. Mesmo após a queda do último pregão, o Brent acumulou valorização superior a 8% na semana.
Oferta mundial enfrenta forte pressão
Os conflitos no Oriente Médio afetaram produção, infraestrutura e rotas de transporte.
A Agência Internacional de Energia informou que a oferta de petróleo da Arábia Saudita caiu para o menor nível em mais de 30 anos.
Ao mesmo tempo, o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz foi prejudicado pelas tensões regionais. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos estima que os estoques globais diminuíram aproximadamente 400 milhões de barris neste ano.
Diesel já registra preços recordes
O efeito mais preocupante aparece nos derivados.
Nos Estados Unidos, o diesel ultrapassou US$ 6 por galão, atingindo níveis recordes em meio às restrições de oferta.
Diesel caro tem efeito especialmente amplo porque participa da cadeia logística. Caminhões, máquinas agrícolas, transporte marítimo e diferentes setores industriais dependem diretamente do combustível.
Energia pode reacender inflação
A consequência econômica pode aparecer nos índices de preços.
Combustível caro aumenta despesas de transporte e produção. Empresas podem absorver uma parcela desses custos, mas outra parte tende a ser repassada ao consumidor.
Esse processo já começa a preocupar bancos centrais. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor avançou 0,4% em agosto, com energia contribuindo para a aceleração. A inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,4%.
Juros podem permanecer elevados
Se a inflação energética persistir, bancos centrais terão menos espaço para reduzir juros.
Nos Estados Unidos, o mercado terminou a última semana atribuindo elevada probabilidade a uma alta de juros na próxima decisão do Federal Reserve. Na Europa, autoridades monetárias também acompanham os riscos inflacionários ligados à energia.
Para famílias e empresas, isso significa uma combinação difícil: combustível mais caro e crédito potencialmente mais restritivo.
Brasil também sente os efeitos
Embora seja produtor de petróleo, o Brasil não está isolado.
O preço internacional influencia derivados, importações, inflação e expectativas do mercado financeiro.
O governo brasileiro já ampliou subsídios e reduziu impostos sobre combustíveis para impedir que a alta externa chegue integralmente ao consumidor.
O comportamento do petróleo, portanto, continuará sendo um dos indicadores econômicos mais importantes das próximas semanas.
Fontes: Reuters e Agência Internacional de Energia.