Petróleo fecha acima de US$ 104 e IEA alerta para déficit maior de oferta em 2026
Brent termina a semana acima de US$ 104 após forte alta e IEA alerta para redução maior da oferta mundial de petróleo em 2026.
O petróleo terminou a semana acima da marca de US$ 100 e permanece como uma das principais fontes de pressão sobre a inflação mundial. O Brent encerrou a sexta-feira perto de US$ 104,50 por barril, depois de ter tocado máximas próximas de US$ 110 durante a semana.
Mesmo com a correção no último pregão, o Brent acumulou valorização superior a 8% na semana, refletindo preocupações com a oferta e com a segurança das rotas de transporte no Oriente Médio.
IEA eleva alerta sobre a oferta mundial
A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a oferta global de petróleo poderá sofrer uma redução de aproximadamente 5,7 milhões de barris por dia em 2026, diante das interrupções provocadas pelos conflitos e da demora esperada para normalizar os fluxos do Golfo.
A revisão ampliou a preocupação do mercado porque não envolve apenas produção: navios, refinarias, seguros e rotas marítimas também passaram a enfrentar riscos maiores.
Arábia Saudita registra forte queda de produção
Segundo a IEA, a oferta saudita caiu para aproximadamente 6 milhões de barris por dia em agosto, menor nível em mais de três décadas. O dado reforça a percepção de que a recomposição do abastecimento pode levar tempo.
Fretes e derivados também ficam mais caros
A tensão nas rotas marítimas aumentou o custo de transporte de petróleo. Quando fretes, seguros e derivados sobem juntos, a pressão pode chegar aos preços de gasolina, diesel e outros produtos ligados à cadeia energética.
O diesel merece atenção especial porque influencia diretamente o transporte de mercadorias. Combustível mais caro pode elevar custos de distribuição, logística e alimentos.
Por que o Brasil precisa acompanhar
Mesmo sendo um grande produtor e exportador de petróleo, o Brasil participa de um mercado global. Oscilações do Brent influenciam derivados, custos de importação, expectativas de inflação e decisões das empresas do setor energético.
Uma alta prolongada também pode dificultar o processo de redução dos juros no país caso a energia volte a pressionar o IPCA.
O que observar nos próximos dias
A evolução dos conflitos no Oriente Médio, a segurança das principais rotas marítimas, a reação da Opep+ e a capacidade dos produtores de recompor estoques serão determinantes para os próximos movimentos do petróleo.
Fontes: Reuters — IEA e oferta global e Reuters — fechamento dos mercados.