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Atividade física e diabetes tipo 2: estudo com quase 88 mil adultos reforça o poder do movimento

Pesquisa com 87.975 adultos relaciona maior volume de atividade moderada a vigorosa a menor risco de diabetes tipo 2. Entenda os resultados e limites.

Uma nova análise com 87.975 adultos sem diabetes reforça uma mensagem simples da saúde preventiva: movimentar-se regularmente está associado a menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Para isso, os participantes utilizaram acelerômetros no pulso durante sete dias, e os pesquisadores acompanharam os desfechos por uma mediana de 7,7 anos.

O que o estudo encontrou?

Durante o acompanhamento, 2.140 participantes desenvolveram diabetes tipo 2. O grupo de maior atividade acumulava mediana de 409 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa; o de menor atividade, 121 minutos. Depois de ajustes estatísticos, menor volume de atividade esteve associado a risco relativo maior de diabetes.

Por que os idosos merecem atenção especial?

Nos adultos com menos de 63 anos, o grupo menos ativo apresentou mais que o dobro do risco relativo em comparação ao mais ativo. Por outro lado, entre os mais velhos, a diferença relativa foi menor, mas o risco basal de diabetes é maior. Por isso, os pesquisadores destacam que aumentar a atividade física na população idosa pode evitar um número relevante de novos casos em termos absolutos.

Preciso fazer 409 minutos por semana?

Não. Esse número descreve a mediana do grupo mais ativo do estudo e não deve ser interpretado como uma nova recomendação. Nesse sentido, diretrizes de saúde pública continuam usando pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa como referência para adultos. Por exemplo, caminhada rápida, bicicleta e outras atividades que elevam a respiração podem contribuir para esse total.

Associação não é prova de causa

No entanto, o trabalho é observacional e os próprios autores apontam limitações: participantes do UK Biobank não representam perfeitamente toda a população britânica e tendem a ser mais saudáveis e socioeconomicamente favorecidos. Portanto, os números não significam que uma quantidade específica de exercício garanta prevenção do diabetes. Eles fortalecem, porém, o conjunto de evidências que sustenta a atividade física como parte da prevenção metabólica.

Fonte: European Association for the Study of Diabetes, pesquisa divulgada em 18/09/2026 para apresentação no congresso anual da EASD. Leia o resumo científico divulgado pela EASD.

Foto: Bruno Nascimento/Unsplash.